O Município de Fafe celebrou os 50 anos da Revolução com um programa de amplo envolvimento comunitário, o que vivamente se saúda, e com inaugurações de equipamentos na cidade e nas freguesias, destacando-se a Estação Memória, um espaço de evocação da História e tradições, com utilização multiusos, nomeadamente para exposições de artes plásticas e concertos.
O programa deu palco aos artistas locais e a artistas de renome nacional, envolvendo vários estilos e proveniências, como múltipla é também a natureza deste Abril que se celebra sendo. Comemorações essas que envolveram a criatividade dos fafenses de todas as idades que, pelos palcos e pelas ruas, quiseram afirmar bem alto que a Revolução está viva e não é estancável.
Ninguém como os nossos autarcas encerra em si mesmo o pulsar das agruras, das ambições e do querer fazer dos cidadãos, assim como o realizar em comunidade. Por isso, se saúda o seu trabalho livre. A forma como cada um e cada uma está perante os seus concidadãos faz deles o último garante da intransigente defesa da nossa democracia e dos seus reais valores na nossa sociedade. Nunca, como hoje, esteve na esfera local a força maior do combate ao populismo e à política sem ética. A sua proximidade e o seu envolvimento verdadeiro têm de ser a arma eficaz sobre a qual as novas gerações depositarão a flor, o cravo, do reconhecimento.
O país onde vivemos deu enormes saltos civilizacionais e, em muitas áreas, é um país inspirador para o mundo. Se há desforra, desforço, que se pode tirar ao país de antigamente é que este é o país que nos deixa orgulhosos pelo que conquistamos fruto do que nos fez fazer melhor, e não por força do que conseguimos subjugar por desigualdade histórica.
Contudo, neste cinquentenário, valerá também a pena sublinhar o que é preciso corrigir. O papel da comunicação na sociedade já se não faz sob a primazia das rádios, dos jornais e da televisão. A comunicação digital por via de redes sociais impõe-se sem que haja eficácia na deontologia que sempre se impôs, e bem, à comunicação social.
Os meios de comunicação locais são fontes de resistência cultural que devem ser apoiados, são órgãos com rosto e com responsabilidade pessoal e libertam os territórios do silenciamento comunitário. A imprensa local deverá ser apoiada de forma a poder ser, com isenção, a expressão livre das nossas terras.
No plano geracional, a juventude não pode ser olhada à luz daquilo que as gerações mais velhas desejam sobre o que o deve ser o seu futuro. Hoje, mais do que nunca, os jovens provam-nos que têm uma visão do mundo e que constroem esse mesmo mundo com base em ambições que são as suas.
O pacto com a juventude ou se faz de forma livre, dando espaço para que o seu projeto de vida aconteça, ou então falharemos, sendo que quando falhamos com os jovens estamos a prejudicar o presente e a comprometer o futuro.
O Partido Socialista celebra abril com a consciência de ter dado passos importantíssimos naquilo que são as conquistas cidadãs. Hoje, a mulher é mais livre e pode realizar-se mais, os cidadãos são mais livres de expressar a sua orientação sexual e a sua identidade, são mais livres de se exporem politicamente e de manifestarem a sua religiosidade dentro do que só a sua própria fé induz. Mas, não basta sermos mais livres, porque ser mais livre tem implícito o ainda não sermos totalmente livres e quando se não é totalmente livre há um caminho que ainda falta percorrer.
O PS não tem a soberba de afirmar que todos os passos que deu, e tantos que foram, a favor da melhoria das condições de vida, tenham sido esses o fim do caminho, dando os problemas como resolvidos para sempre.
Cinquenta anos depois de abril, se há alguma coisa que temos de aprender é que a revolução e os seus propósitos não se esgotam num dia, partiram de um dia para ser revolução no coração dos cidadãos e se perdemos a revolução, se não a realizarmos como desafio no nosso coração diário, então teremos perdido o que lhe é fundamental.
Na nossa terra, com o trabalho dos nossos autarcas, com a dedicação dos nossos funcionários municipais, com a tenacidade e sentido cívico das nossas associações, com a confiança dos nossos empresários, o labor dos nossos operários, com o abrir de mundo dos nossos professores e o sentido de sermos universais no bem que fazemos e entregamos ao nosso semelhante, estaremos prontos, seremos capazes, seremos merecedores de tão grande herança, a que nos faz nunca perder de vista esse futuro com história, que nos alimenta e faz diferentes todos os dias das nossas vidas.
Pompeu Martins – Partido Socialista



