Esta semana celebra-se a efeméride que assinala o quinquagésimo aniversário do 25 de Abril de 1974 e não poderia deixar de ser essa a temática que aqui abordo neste artigo de opinião.
São 50 anos de revolução e evolução, de crescimento e melhoria, de maior igualdade e equidade para todas e todos, 50 anos de uma “nova vida” que foi possível construir graças à coragem e esforço de todos os que lutaram por esta causa maior que é a liberdade e onde os capitães de Abril, heróis da revolução, sempre serão merecedores da nossa gratidão e destaque maior.
Olhando a nível local e a tudo o que se celebra em memória e defesa da democracia, Fafe é um bom exemplo pois todos os anos celebra a efeméride das mais diversas formas, seja com atos solenes, atividades lúdicas ligadas ao tema e até inaugurações, isto sem esquecer que a praça mais importante e central do município tem o nome de Praça 25 de Abril. Mas a celebração da democracia e liberdade na nossa terra não se fica por esta data (e bem!), senão vejamos o exemplo do que se fez em 2022 com o memorial em homenagem aos Presidentes da República. Questiono até se, sendo nós uma terra tão bairrista e defensora dos seus e onde a democracia sempre foi um parente rico, não seria de fazer algo do género e com uma visibilidade similar mas para os presidente de Câmara deste últimos 50 anos ao invés de um reconhecimento pontual num único evento, como os que veem sendo feitos nos últimos anos. Fica a ideia…
50 anos já é bastante tempo e sendo realistas e objetivos, certamente todos nós conseguiríamos enumerar falhas, onde a liberdade e a democracia ainda têm muito caminho por trilhar. Pese embora isso mesmo, é fundamental continuar a celebrar a democracia (sim, celebrar Abril é celebrar a democracia, a igualdade e a liberdade) para que não nos esqueçamos nunca que temos de a proteger e é dever de cada um de nós fazê-lo todos os dias e em tudo o que fazemos. A liberdade em todos os seus sentidos, tem de ser constantemente valorizada, protegida, festejada e lembrada, seja através da escolha livre de cada um de nós nas eleições, seja através da música que quer ouvir, dos filmes que quer ver, dos livros que alguém lê ou até mesmo do comentário que alguém faz nas redes sociais e tanta vez acaba contestado por outro alguém (de formas tão pouco democráticas!).
O 25 Abril de 74 é sem dúvida um marco, uma viragem no rumo da história e não tenhamos dúvidas sobre isso mas estaríamos a mentir se ao celebrar Abril disséssemos que esta revolução cumpriu tudo aquilo a que se propunha pois embora passássemos a ser mais livres, não passamos a ser todos iguais, não existiu uma igualdade de género, não existiu uma igualdade económica, não existiu uma igualdade de oportunidades. E essa igualdade também faz parte das lutas de Abril que ainda hoje devemos travar diariamente.
Para mim que sempre vivi em liberdade, é extremamente difícil imaginar como seria Portugal no pré 25 de Abril. Imaginar que não poderia ser a pessoa que sou nas Assembleias Municipais, nas quais intervenho regularmente e digo o que penso e sinto, com respeito mas em liberdade para assim mostrar diferentes opiniões, pontos de vista e até criticar decisões tomadas por quem governa; imaginar que uma mulher não poderia fazer o mesmo que um homem ao nível de desempenho de funções ou de igualdade de direitos, imaginar que tudo o que ouvimos ou lemos seria previamente escrutinado, buscando que todos fossem ovelhas do rebanho sem ideias diferentes do sistema… Só de imaginar é assombroso! Assim, enquanto existirem pessoas que se lembrem como era no passado e forem passando essa mensagem, talvez nos ajude a sermos mais positivos atualmente e afirmar que apesar de tudo estamos bem melhor agora e do quão mau as coisas já foram, apesar de muito ainda haver por fazer… Somos parte de um país que todos ambicionamos ver melhor a cada dia e ano que passa, mas um país que não consegue dar ao seu Povo o mínimo para que todos vivam com dignidade, é claramente um país fracassado.
Creio não estar a exagerar se disser que em muitos momentos e para muitas pessoas, o 25 de Abril era uma coisa do passado mas atualmente vemos uma participação muito forte da sociedade no geral e de cada um se querer fazer ouvir e partilhar a sua opinião e posição. Por ocasião dos 50 anos da Revolução dos Cravos, uma data seguramente marcante na nossa história, talvez porque as pessoas se sintam “mais apertadas” devido ao aumento da extrema direita ou à descrença na política que temos hoje em dia, que infelizmente não é feita em prol do Povo mas sim em proveito próprio de muitos dos que nos governam, importará nunca esquecer e não deixar morrer os valores de Abril.
É essencial que todos nós celebremos Abril, ao recordar e defender todas as conquistas que foram feitas ao longo destes 50 anos. Mas mais essencial que isso é sem dúvida definir o que é que nós queremos que venha a ser o nosso país. Algo que nos faça traçar um caminho para que possamos ter uma vida melhor, uma sociedade inclusiva e sem nunca esquecer de construir um futuro que vá de encontro ao melhor para todos nós.
Viva o 25 de Abril, Viva a Liberdade, Viva a Democracia!
Bruno Oliveira- José Ribeiro Por Fafe Sempre



