Este ano é uma efeméride muito especial para Portugal. Um ano que pertence à nossa história colectiva. É o ano que celebramos duas vezes – 50 anos do 25 de Abril e 50 anos de Democracia. E é bom que recordemos, com vigor, Abril [e também Novembro].
Neste ano especial, quero homenagear com este texto, todos os heróis anónimos fafenses que acreditaram e se dedicaram à liberdade e à democracia, e lutaram por uma sociedade mais justa e solidária. Aqueles que nunca exigiram medalhas ou condecorações, grandes reportagens, ou frequentar os corredores do poder. Dizia há dias o Dr.º Parcídio Summavielle, à “memória de todos aqueles que sofreram no regime de Salazar”, esses sim, são para mim os nossos verdadeiros Heróis dos Cravos. Fizeram-no de forma genuína, conscientes de que os seus sacrifícios podiam mudar o rumo de Portugal.
Bem sei que o ar do tempo traz em si uma certa carga negativa e que o pessimismo e o fado são características portuguesas bem vincadas. Bem sei que a maledicência, o boato e o diz-que-disse são maneiras de estar na vida. Mas é justo dizer, Portugal é hoje um país bem melhor.
Também é justo dizer que Fafe está melhor passado 50 anos, mas tem ainda um amplo espaço para melhorar, muito para limpar. Também sofremos e muito, de más medidas governativas, opções erradas e maus investimentos.
Também conhecemos bem a cartilha de um Bloco Central de interesses, sempre atentos, a trabalhar nos corredores resguardados do poder. Não falo de Partidos, mas sim de certos “políticos” e “empresários” que vivem e alimentam uma sociedade que se gere de cargos e satisfação de certos interesses. Uma Câmara Municipal que hoje dá alguns sinais de pouca solidez. Sim, ainda falta abanar um pouco mais. Mas os donos disto tudo começam, aos poucos, a cair do seu pedestal.
Ainda há outros vícios, como a tentativa de condicionar opiniões, limitando a liberdade de expressão e de informação. Pequenas pressões cirúrgicas aqui ou ali. Todavia, o legado de Abril é um legado de Liberdade, de quebrar as amarras a um passado de paz dos cemitérios. Um passado do respeitinho. Custe a quem custar, doa a quem der. E o legado de Abril está para além dos partidos: não é de esquerda, nem de direita. É do Povo Português.
Contudo, existe um povo que todos os dias faz um território evoluir. Nas empresas, nas organizações, no sector social. O nosso Rally é hoje apreciado em todo o mundo. Pelo salto na lameirinha, pela geografia e clima, pelo saber receber, mas também pela nossa gastronomia, pela nossa famosa vitela assada à moda de Fafe. Ainda assim, não é só do automobilismo, é também com as PME’s, de valor tecnológico e com a inovação como pilar, que se constrói um território moderno. Um tecido da população que resiste e luta.
E mesmo aqueles que partem por esse mundo fora são um motivo de orgulho. A nossa Diáspora e a sua credibilidade e capacidade de trabalho são bem evidentes.
Num ano especial, mais do que o cravo na lapela, ou o pin no fato, é preciso o cravo no coração e a mente focada na ação. Se cada um, na sua profissão, na sua atividade, no seu dia-a-dia for capaz de cumprir os seus deveres e exercer os seus direitos, só poderá estar a ajudar a construir um país melhor. Afinal, somos todos filhos da madrugada.
Nesta terra da justiça, mas também da fraternidade, o povo deve ser quem mais ordena, “partidarites” à parte, mas com muito orgulho no nosso território. No final, o que conta é Fafe, é Portugal.
Rui Novais da Silva- PSD



