Há 50 anos, numa madrugada de abril, renasceu a liberdade e a democracia. Liberdade para todos. Democracia que assenta na liberdade do povo soberano. Liberdade plena.
Antes, era a ditadura. Faltava a liberdade de expressão, de reunião e de associação. Antes, quem pensasse diferente do regime e ousasse expressá-lo era preso. Antes Portugal era um País em guerra, isolado no mundo. Um País pobre e sem futuro. Um País fechado.
Por tudo isso o 25 de abril de 1974 foi aplaudido em festa e com grande entusiasmo por quase todos os portugueses. Nas armas floriram cravos.
Passaram 50 anos. Portugal abriu-se ao mundo e ao futuro. Pouco a pouco as condições de vida foram sendo melhoradas em todas as dimensões. As verbas da União Europeia (fundos comunitários) permitiram dar resposta a um vasto conjunto de problemas. Portugal evoluiu, desenvolveu-se mais do que nunca. Nem no tempo dos descobrimentos se assistiu a tão grande progresso.
Hoje, alguns, numa campanha obscura, querem fazer-nos acreditar que não existiram as grandes transformações na educação, na saúde, nas vias de comunicação, nas habitações, em geral na qualidade de vida.
É certo que continuamos com muitos e novos problemas, à semelhança do que acontece em todos os países, nomeadamente na Europa. Problemas à espera de soluções, que quando são resolvidos, dão origem a outros problemas e a novos desafios. É assim a vida humana em sociedade.
Há uma tendência de olhar para os 50 anos do 25 de abril com um sentimento saudosista do passado, sobretudo dos que viveram esses tempos.
Julgo que pensar abril deve ser olhar o futuro. A pergunta é simples e clara: que futuro almejamos? A resposta é complexa.
Em Fafe, queremos, julgo que todos, um concelho onde seja bom viver, com boa qualidade de vida, com empregos de qualidade que atraiam os nossos jovens. Um concelho com as melhores escolas para as nossas crianças e jovens. Um concelho com as respostas na saúde a que temos direito. Um concelho com o futuro a que temos direito e do qual nos possamos orgulhar. Um futuro que temos de conquistar com ideias, valores humanistas e com o esforço e dedicação de todos. Um futuro em que ninguém fique para trás.
Em Portugal, queremos um país de paz e de liberdade em que todos tenham o necessário para viver dignamente.
Na Europa, desejamos a paz e a convivência dos povos e das nações.
50 anos despois do 25 de abril de 1974, vivemos tempos difíceis e complexos, tempos de tentativas de retrocesso civilizacional. Sempre a humanidade deu provas de ser capaz de ultrapassar os dias mais negros de guerra, de escravidão, de ditadura. Das dificuldades e da complexidade nasce a esperança num mundo e num tempo melhor para todos. Essa é também a mensagem de abril.
Antero Barbosa – Partido Socialista



