Não têm tear, mas isso não as impede de fazer tecelagem. São dez as formandas que fazem parte de um projeto piloto na área da tecelagem, designado ‘A oficina Trama’, que tem como base de trabalho a comunidade residente no Bairro da Cumieira. A iniciativa está a ser desenvolvida e acompanhada pelo GAB – Gabinete de apoio ao Bairro, que reúne uma equipa técnica de apoio social do Município de Fafe.
Todas as quartas-feiras estas formandas reúnem-se e fazem mais do que tecelagem: convivem e saem da rotina do dia-a-dia. “Este projeto já tem mais de um mês, estas senhoras vivem todas cá. Foi no fundo descobrir estes talentos todos, foi uma junção de várias coisas, dos seus interesses, gostos de cada uma”, começou por explicar Cláudia Lobo de Matos, psicóloga responsável pelo gabinete de apoio ao bairro adiantando que já tinham visto este atelier noutro município. “Esse bichinho ficou dentro de nós. E se trouxéssemos para Fafe? Foi lançando o desafio e depois umas vizinhas trouxeram outras, passaram a palavra. Vamos falando, conversando, e o tempo passa, é mais do que tecelagem”. Cláudia Lobo de Matos não é apenas treinadora de bancada e coloca mãos à obra junto com estas formandas, num projeto que tem vários objetivos. “Pode ter o propósito de mostrar os talentos delas, criação de auto-emprego, construção de materiais. São senhoras que ou estão desempregadas, ou reformadas, tem o propósito ao nível de bem-estar, seja ele psicológico, físico, ocupacional. Não sabemos o que vai sair daqui, mas certamente alguma coisa sairá. Vai dar-lhes ferramentas, algumas pessoas já tinham tido relação com este material em alguns trabalhos que tiveram ou não e podem a partir daqui começar a brincar de forma séria com a tecelagem”.



