Salários
O brutal aumento do custo de vida, fruto da subida generalizada dos preços de bens e serviços essenciais está a tornar mais compridos os meses e mais leves as carteiras. Para além da inflação há outras causas para a diminuição dos rendimentos das pessoas. A desregulação e a caducidade dos contratos coletivos de trabalho mantém-nos no modelo de salários baixos e exploração máxima. A degradação das carreiras no setor público impede, em grande medida, salários mais altos neste setor. A diminuição da capacidade de resposta dos serviços públicos agrava ainda mais a gestão dos orçamentos familiares. O país não pode continuar a aceitar lucros milionários crescentes dos grandes grupos económicos e ficar indiferente à injusta redistribuição da riqueza produzida pelos trabalhadores e ao crescimento da pobreza. Para além da urgência de rutura com as políticas de direita, torna-se uma emergência nacional a subida generalizada dos salários e também das pensões. O PCP defende uma valorização geral dos salários, com um aumento de pelo menos 15%. O PCP propôs no Parlamento uma subida do salário mínimo nacional para 910€ em janeiro, atingindo os 1000€ durante o ano de 2024. A proposta foi rejeitada com os votos contra de PS, PSD e IL.
SNS
O Serviço Nacional de Saúde, implementado para cumprir o direito à saúde plasmado na Constituição saída da Revolução de Abril é uma ferramenta imprescindível para garantir que todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, possam ter acesso a cuidados de medicina preventiva, curativa e de reabilitação. Essa ferramenta, essa máquina, o SNS, está a ser desmantelada e vendida às peças. O objetivo da política de direita é defender os interesses dos grandes grupos económicos do negócio da saúde. Para isso se vai deixando definhar o SNS, deixando urgências hospitalares pontualmente encerradas, permitindo longos tempos de espera para consultas, exames e cirurgias, degradando as condições de trabalho dos seus profissionais. Ao mesmo tempo, já vai em cerca de 6 mil milhões de euros o valor que o orçamento do Ministério da Saúde transfere para o setor privado que assim vai tomando conta das partes mais lucrativas e que lhe interessam, deixando paulatinamente o SNS a atender quem não tem capacidade económica para alternativas mais caras. Se não queremos que a saúde volte a ser só para alguns, como noutros tempos, é mesmo uma emergência assumir a importância social do SNS e deixar de subjugar a saúde dos portugueses aos lucros de alguns.
Gaza
Mesmo que não tivesse existido um ataque terrorista, contra civis, no dia 7 e que Israel não tivesse provocado a morte a cerca de 7 mil civis (dos quais mais de 3000 eram crianças!) nas três semanas que se seguiram, não faltavam razões mais do que suficientes para se fazerem manifestações em defesa da Palestina e contra a política de apartheid, colonialista e criminosa de Israel sobre o povo palestiniano. Há muitas décadas que Israel não cumpre as resoluções das Nações Unidas e continua e alargar a ocupação ilegal de território que não lhe pertence. É uma emergência parar esta guerra! É urgente acudir aos mais de 2 milhões de pessoas que sobrevivem na Faixa de Gaza. Os hospitais, igrejas, escolas e habitações, bombardeados por Israel deviam obrigar qualquer ser humano a gritar por um cessar-fogo. Expressões de genocídio e limpeza étnica, que são justamente aplicadas ao que se passa em Gaza, deveriam colocar as chamadas “democracias ocidentais” do lado das vítimas e não dos opressores. A deplorável conivência do governo português e dos dirigentes da União Europeia não deixa dúvidas sobre o lado que escolheram. Resistir à opressão é uma necessidade e uma obrigação dos oprimidos. Lá como cá.
Alexandre Leite- PCP



