O Município de Fafe celebrou o 113° aniversário da Implantação da República com um programa comemorativo que incluiu a habitual Sessão Solene nos Paços do Concelho. Raul Cunha, presidente da Assembleia Municipal, foi o primeiro a usar a palavra e a felicitar Antero Barbosa por continuar a celebrar o 5 de outubro. “Fafe é dos poucos concelhos que ainda o faz, assim deste modo solene, faz muito bem porque associado ao movimento republicano estão um conjunto de princípios e valores perfeitamente atuais e que faz falta hoje e sempre promover. Fafe persiste em recordar uma data marcante da fundação do nosso regime e assim prestar homenagem aqueles que em Lisboa, mas também em Fafe, deram de algum modo o seu contributo para colocar o ponto final na monarquia e implantar a república”, frisou Raul Cunha vincando que a República chegou “carregada de esperança e marcou uma mudança significativa na estrutura do governo e na sociedade portuguesa”.
Luís Amaral, Vice-Reitor da Universidade do Minho, foi o convidado especial este ano que debruçou o seu discurso sobre ‘A democracia e os desafios da transição digital – votação eletrónica’. “Como qualquer bom português durante décadas não pus em causa o funcionamento da nossa democracia, nomeadamente do sistema eleitoral, que é a base de tudo isto. Desde a primeira eleição nacional em 25 de abril de 1975 até 9 de outubro de 2005 houve 54 eleições e julgo que nenhum de nós em alguma fase deste processo disse isto estava viciado, que há corrupção. O nosso sistema eleitoral é muito sólido, é muito robusto, muito auditado, mas até que em 2005 aconteceu uma coisa, entre as 20h e 21h20 e o sistema esteve parado, coisa que nunca tinha acontecido nas nossas eleições. No sistema informático na altura, no ministério da justiça, fizeram-se os testes e no fim dos testes em vez de se limpar os registos a senhora que estava encarregue de fazer isso tinha aula de aeróbica. No dia seguinte, quando as máquinas arrancaram aquilo estava quase cheio e ao fim de uns minutos crachou”, lembrou provocando uma gargalhada na plateia.
Discurso do presidente da câmara encerrou sessão solene
“Ainda há problemas estruturais à espera de solução”
“As democracias não duram para sempre. Estão sempre ameaçadas pelas ditaduras e tiranias. As democracias precisam de ser defendidas por todos os que preferem a liberdade em vez da opressão. Hoje é necessário defender a democracia e os seus princípios e valores”, frisou, por seu lado, o presidente da Câmara, Antero Barbosa, no discurso que encerrou a sessão solene, onde vincou que todos, sem exceção, têm um papel importante a desempenhar. “Têm as escolas, no sentido de preparar as nossas crianças e jovens para as mudanças socioeconómicas e culturais da sociedade, para o uso eficiente das tecnologias e para os princípios e valores de uma sociedade mais humana, mais justa e mais feliz. Têm as associações, as empresas, os organismos públicos, as Juntas de Freguesia, como o poder mais próximo dos cidadãos, têm os partidos políticos, tem cada cidadã e cada cidadão no muito que pode fazer para defender o ambiente, poupar água como recurso e tem a Câmara Municipal”, enumerou
Reconheceu, porém, que, em muitas áreas, ainda há problemas estruturais à espera de solução. “A falta da rede de saneamento em muitas freguesias. A diminuição da população que se vem verificando desde o início deste século, um problema que resulta da diminuição da natalidade e que ainda não tem resposta. As dificuldades de transporte público. A falta de espaços (pavilhões) para a prática do desporto e do exercício físico. Há ainda falta de algumas respostas no domínio da saúde – principalmente ao nível dos cuidados primários que aguardam resposta”. Falou também das infraestruturas que pretende trazer para Fafe como o Metro-Bus, e a Loja do Cidadão.



